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DELEGADA FALA SOBRE EMPODERAMENTO FEMININO

“Sofri muito com a discriminação no começo. Principalmente por parte das mulheres”, diz delegada.

Para Dra. Liliane Doretto, policial há 20 anos, empoderamento é coragem.

Ela não tinha nenhum parente ou referência para que pudesse escolher tal profissão, mas nasceu com uma característica dentro de si que precisava ser colocada como missão de vida dentro do trabalho: senso de justiça. “Com dez anos, eu já adorava as leis, era fissurada na constituição de 88 na época, que estava prestes a ser promulgada. Quando prestei vestibular escolhi, então, o direito. Como não tinha como pagar a faculdade, consegui uma bolsa de estudos e minha mãe encontrou um concurso para escrivão de polícia”. Foi aí que tudo começou.

Era 1998. Liliane se viu pela primeira vez em uma delegacia e trabalhando com muitos homens e poucas mulheres. Bonita, jovem e simpática, ela atraía olhares não só da ala masculina mas também daquelas que, assim como ela, tentavam carreira na polícia, mas já se inseriam em um ambiente “machista”. “As mulheres são cruéis. Tentam te ridicularizar, enquanto os homens são mais velados. Eu acredito que, inicialmente com o intuito de tirar vantagens sexuais”, lembra a delegada.

Mas engana-se quem acredita que, 20 anos depois, algo mudou neste sentido, tanto dos homens quanto das mulheres. “Ser policial mulher é muito difícil. Hoje ainda sou frequentemente abordada por colegas, subordinados ou até mesmo chefes, com questionamentos a respeito das minhas decisões… me testando o tempo todo!”. Algo de que Liliane se revolta: “imbecilidade da parte masculina e inveja, da feminina”.

Ao longo do tempo, ela diz que teve que aprender, a como se portar (psicologicamente e em atitude) sem deixar a essência de carinho e delicadeza de lado. Para isto, Liliane apostou em um conselho da mãe: conhecimento. “Sou leve e faço piada disso, mas ainda continuam tentando puxar meu tapete e fazendo comentários a meu respeito, porém nenhuma dessas pessoas se referiu ao meu caráter ou conduta pois aprendi que quando se dá o respeito, as pessoas não conseguem te encarar ou fazer comentários desrespeitosos”.

Empoderamento pra ela, não é o reconhecimento social, no sentido da raiz da palavra. Mas sim “o orgulho de ser mulher e de ter conseguido praticar minha atividade com justiça e sabedoria. Tenho os mesmos direitos que qualquer um”.

Aos 40 anos, Liliane, que é a mais velha de três filhas e foi criada apenas pela mãe (em um ambiente totalmente feminino) é casada com um investigador de polícia e tem ainda o sonho de ser mãe e aprender coisas como: outros idiomas e surf.

Como delegada e mulher, vivendo a sua própria história e lutando pela justiça das mulheres, Liliane diz que “ às vezes é conveniente se fazer de frágil, muitas vezes por falta de garra e coragem de levantar todos os dias cedo e enfrentar esse mundo cão! É difícil sair de casa e enfrentar todo tipo de discriminação e dificuldades para ganhar um mal salário. Muitas vezes é mais fácil reclamar e continuar como está. Essas, muitas vezes, são as escolhas da maioria das mulheres que, depois, por falta de “coragem”, se colocam em condições desprezíveis”.

Liliane seguiu o conselho da mãe: conhecimento e coragem

Ela se casou com um policial. “O amor da minha vida”.

A delegada é filha de uma pedagoga e de um operário. Decidiu sozinha entrar para a polícia.

Nas ruas, combatendo a criminalidade. Liliane sabe atirar com armas longas e foi preparada para confronto.