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AGRESSÃO CONTRA MULHER

Não tem classe, muito menos rosto

Já faz pelo menos 10 anos que falo nas minhas matérias sobre violência contra mulher. Nas imagens que guardo na minha memória, tem tantos roxos que não dá para enxergar a parte branca dos olhos.  Já vi mulheres carecas (por que o marido agressor cortou os cabelos para torturar a companheira), já vi marcas profundas de facadas até o pescoço de mulheres que por um milagre de Deus conseguiram sobreviver a fúria de monstros com quem dormiam dentro de casa. Já ouvi uma amiga, com o dobro da minha idade dizer: “eu fugi de casa com os meus três filhos depois de apanhar e ser perseguida”.

No começo, eu me perguntava, não acreditava que aquilo realmente pudesse acontecer a alguém. Como? Como um namorado, um marido, alguém que você escolheu para formar uma família, pode simplesmente transformar amor em ódio e bater, bater, até matar? Confesso que eu procurei por respostas já que, muitas vezes, vizinhos me contavam que, apesar de ouvir as agressões, muitas mulheres reatavam os relacionamentos e continuavam há anos se sujeitando a agressões e ao lado daquele que todos sabiam que era agressor, mas que não acontecia nada. Absolutamente nada.

Em uma das minhas andanças, conversando com uma delegada experiente, ela me contou que a agressão tem um ciclo que pode envolver a morte: primeiro, ele inferioriza a mulher (com palavras do tipo “você não serve pra nada”), depois, ele parte para a agressão (pode começar com um empurrão) e na sequência, vem o pedido de desculpas (“eu errei e vou mudar”). Só que o ciclo vai se intensificando com o passar do tempo. Em determinado momento, elas acreditam naquela fala de que não são capazes, depois se sujeitam a apanhar e acreditam que o agressor pode sim mudar. Nesta fase, algumas até ficam grávidas. Agredidas já me disseram: “eu não tenho para onde ir com meus filhos. Tenho que ficar com ele. Ainda o amo”. E assim escreveram histórias de anos e anos de violência doméstica. Em graus mais intensos, quantas não morreram por isso? O ciclo da violência, evoluindo cada vez mais, fez com que no segundo estágio, a agressão virasse assassinato. Motivo deles, quando estão algemados na cadeia? Ciúmes, possessão, traição… “lavar a alma com sangue”.

Mentes monstruosas, machistas, demoníacas deste tipo, não são apenas restritas a uma classe social, muito menos a um determinado tipo de criação. Elas envolvem muito mais que isso: índole, caráter, falta de berço, egocentrismo, visão do que é família e mulher e como devem ser tratadas.

Imagine você mulheres como Luiza Brunet, Rihanna, Luana Piovani (super poderosas), sendo vítimas de agressão? É impensável, é injustificável, é abominável. Mas imagine também Márcia, Roberta, Carolina, que morreram nas mãos dos ex-companheiros. Agressores não tem classe social, não tem raça, não estão estampados no rosto e enganam o coração. A diferença entre muitas delas é que Márcia, Roberta e Carolina, tentaram até uma medida protetiva (para que o agressor mantivesse distancia) mas um papel não os impediu, apenas aguçou ainda mais o ódio violento dentro dos ex-maridos assassinos. Já Luiza, Rihanna e Luana, tiveram os pedidos judiciais estampados em capas de jornais que fizeram com que o agressor fosse obrigado, por uma pressão até popular e para própria segurança dele (não se esqueça que são covardes) a manterem distancia e cumprirem o acordo, até encontrarem uma próxima vítima apaixonada.

O verdadeiro sentido do empoderamento feminino é muito mais “de berço” – e que vamos ter que passar para as próximas gerações –  do que de “estou me achando por que sou poderosa e conquistei parte da igualdade entre os sexos”. Empoderamento feminino é educação, é saber (como mulher) transmitir um bom caráter para o seu filho, saber que não podemos nos sujeitar a sermos rebaixadas, agredidas, ofendidas, mesmo que de forma velada! Chega dessa putaria! Empoderamento é respeito. E ele começa dentro de você. Unidas e focadas, seremos muito mais fortes. E machistas… não vão passar!

Por Livia Zuccaro @liviazuccaro