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PROFISSÃO NAS ALTURAS

Saiba mais sobre a vida de uma aeromoça.

Profissão nas Alturas

Quem viaja de avião sempre é muito bem atendido pelas comissárias que fazem o possível para tornar a viagem ainda melhor, mas como será que é a profissão de Comissário de Bordo? O portal Seja Eva entrevistou a comissária Andressa Caggiano, de 27 anos que contou sobre sua profissão.

EVA: Quando começou a se interessar pela profissão?
Andressa Caggiano: Comecei a me interessar pela profissão em 2011, quando ainda trabalhava como vendedora na Livraria Cultura. Um dos meus clientes era piloto e me disse que eu tinha o perfil de comissária, a partir daí comecei a procurar sobre o curso e acabei me apaixonando pela profissão!

E.: Como é o curso?

Andressa:O meu curso durou uma média de 4 meses, e foi bem diferente do que eu esperava. Aprendi muitas coisas novas, como primeiros socorros, navegação aérea, meteorologia, regulamentação. Foram quatro meses muito intensos, pois eu trabalhava e tinha pouco tempo para estudar algo que nunca tinha visto na vida. Além de tudo, é pouco tempo para muito material, mas eu aproveitei muito e fiz amizades para a vida!

E.: Quando você começou a exercer a profissão?

Andressa:Entrei na azul no dia 23 de janeiro de 2012 (exatamente um ano depois que fiz meu curso de comissária!)

E.: Como é sua rotina?

Andressa: Eu sempre digo que a profissão é mais um estilo de vida do que um emprego. Nossa rotina dentro do avião é cheia de procedimentos operacionais e não muda, mas a nossa vida é baseada em nossa escala. É muito difícil separar uma coisa da outra, uma vez que a gente vive em função disso, mas eu aprendi a usar a profissão e o meu amor por ela como uma maneira de fazer com que minhas “duas vidas” (profissional e pessoal) coexistam e se complementem. Eu acredito que grande parte da minha rotina é tentar encontrar esse equilíbrio, conseguir conciliar amigos, família, afazeres domésticos – apesar de parecer glamouroso, as contas chegam, a poeira acumula e a louça não se lava sozinha, (rs.) Acredito que como seres humanos, somos resilientes o bastante para enfrentar novos desafios, hoje, amo o que faço e amo o que sou, apesar de todas as dificuldades!

E.: Você enfrentou algum preconceito por ser comissária?

Andressa: Eu acredito que exista um preconceito enraizado sobre a profissão, mas é apenas mais uma profissão! Nunca sofri preconceito diretamente, uma vez que tive a sorte de conseguir emprego rápido, mas sei que muita gente sofre preconceito por não serem chamados para seleção, ou atuarem na profissão ou, principalmente, pela falta de informação da população em não entender o que realmente é a profissão. Para esses, indico o meu canal, que criei justamente para isso. Acredito que muito se combate com informação, tento deixar meus vídeos com uma linguagem simples, para até quem não é da aviação consiga entender.

Já ouvi muitas pessoas dizendo também que sou garçonete, mas nunca considerei isso como uma ofensa – acredito que tudo depende de como enxergamos o servir. Não há nada de errado em servir aos outros, não há nada de errado com garçons, não há nada de errado com nenhuma profissão. Não posso combater o olhar das pessoas perante o mundo, mas posso começar com o meu próprio olhar perante a vida: sou muito grata por todas as pessoas que já servi e ainda mais a essa profissão que me faz enxergar que trabalho nenhum deve ser menosprezado.

E.: Como você lida com o machismo e assédio, porque infelizmente existem homens que erotizam a profissão de comissária?

Andressa: Infelizmente, assédio e machismo existem em qualquer lugar – na rua, no escritório, no ônibus, no avião. Ser mulher é ser objetificada e erotizada a todo momento. Infelizmente, a gente aprende a lidar com isso, mas posso garantir que acontece muito menos quando estou trabalhando, dentro do avião. Acontecia muito mais quando eu era vendedora!

Acredito que isso faça parte do preconceito citado acima, as pessoas acham que por sermos comissárias vamos sofre mais assédio, não é real. Sendo um ambiente como qualquer outro, pode acontecer, mas acontece muito menos do que as pessoas pensam.

E.:Você tem um blog né, como surgiu a ideia do blog e depois o canal?

Andressa: Meu blog existe há mais de 10 anos! Sempre fui muito de escrever, inclusive, cheguei a fazer uma faculdade de letras que não conclui. Meu blog cresceu comigo, o interesse nele apareceu depois que comecei a voar. Quando vim para Dubai, muitas pessoas tinham migrado dos blogs para o youtube e começaram a me pedir vídeos, e assim, nasceu meu canal. Hoje em dia escrevo muito menos, mas ainda pretendo voltar a dar mais atenção ao blog também. São dois hobbies que eu gosto e tenho muito carinho – além de cumprirem com meu propósito de disseminar informação de uma maneira ampla, ocupam minha mente nas minhas horas vagas.

Ficou interessada sobre a profissão? É só acessar o blog da Andressa “Não Pertube” e o canal dela.

Giovana Garcia 
giovavanagarciia@gmail.com
(11) 94446-1108
www.giovanagarcia.com.br