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YASMIN GABRIELLE E A DEPRESSÃO SORRIDENTE

Psicólogos explicam por que muitos sofrem da doença mas ninguém percebe

Ela sempre foi linda, desinibida, sorridente e cheia de atenção por parte de fãs e da mídia. Quem poderia imaginar que uma jovem, que por fora demonstrava tanta alegria,  escondia na verdade, uma depressão tão severa?

Yasmin participava desde pequena do programa Raul Gil e chegou até a ser assistente de palco. Em 2012, perdeu a mãe, vítima de um câncer. E nesta semana, Yasmin deixou os parentes depois de cometer suicídio. Uma amiga próxima disse que Mim, como era chamada, tomou vários remédios. E que sofria de depressão crônica.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 11,5 millhões de brasileiros tem a doença. Yasmin chama a atenção no meio deste número por não fazer parte de um “estereótipo” que a sociedade pensa ser de um depressivo. Ela sempre se arrumou, postava fotos bonitas nas redes sociais, sorria… Mas dentro dela, sintomas como angústia, medo, incapacidade de realizar tarefas e falta de vontade de viver, reinavam.

“O suicídio ocorre quando o instinto da preservação da vida é dilacerado, quando há um desequilíbrio na saúde mental. Existe uma diferença muito grande entre querer chamar a atenção e se matar. Por isso a importância de um profissional especializado”, destaca a psicóloga Priscila Gasparini.

Segundo Olivia Remes, especialista em ansiedade e depressão da Universidade de Cambridge, “é difícil identificar aqueles que sofrem da doença exatamente porque os sintomas são frequentemente mascarados por falsas demonstrações de felicidade e porque, muitas vezes, são pessoas sem motivo aparente para estarem deprimidas: têm um trabalho, uma casa, amigos e até cônjuge e filhos”. Este quadro da doença, ganhou até nome: “depressão sorridente”: aquela que é mascarada pelas pessoas que se preocupam em não demonstrar o que estão sentindo de verdade.

Recentemente, até o youtuber Whindersson Nunes, conhecido pela irreverência em lidar com situações cotidianas da vida, revelou ter a doença e chegou a parar de trabalhar.

A psicóloga Marisa Weiss diz que os familiares, muitas vezes, desconhecem o que se passa com a pessoa com depressão ( justamente a que pode estar escondida, mascarada através de sorrisos com tristeza).

“Muitos julgam de forma generalista, como frescura ou similar. Muitas vezes conhecem sim o dimensionamento da depressão, porém negam ou não imaginam a extensão do momento da dor do outro”, analisa. “A rede social é uma ferramenta poderosa e uma das possibilidades  para que os familiares possam  conscientizar-se sobre a importância de se atentar aos comportamentos que discorrem na depressão e a importância de buscar ajuda terapêutica. Mas é claro, acompanhando a pessoa com atenção, carinho e empatia. Se não houver a compreensão do outro, o melhor é buscar ajuda terapêutica sozinho. Cuide- se, ame-se, salve-se e acredite: tudo ficará bem”.