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RACISMO, GORDOFOBIA E ASSÉDIO NO TRABALHO

 

Funcionários da Loja Três tentaram na justiça. Sem retorno, escancararam as denúncias da marca que ganhou todo apoio nas redes sociais.

O preconceito começou de uma mulher bem sucedida. Guta Bion, de 61 anos, segundo a denúncia de funcionárias e ex- funcionárias da marca, usava o poder para constranger e forçar situações para que outras mulheres entrassem no padrão que ela queria. De acordo com o portal Universa, do Uol, uma das funcionárias havia sido pressionada a desfazer as tranças e voltar para o cabelo cacheado, senão não teria o contrato renovado. “Quando a Guta viu o penteado da funcionária disse que estava horrível e que era coisa de gente da comunidade e que ela deveria tirar por que não era o perfil da empresa”, disse a ex- gerente da loja, que foi pressionada por Guta para conversar com a funcionária.

Em outro relato, uma das funcionárias percebeu que os dreads não seriam bem vindos. Teve que cortar as madeixas e usar um black “arrumadinho, sem ser desleixado”. Em outra ocasião, uma funcionária conta à reportagem, que Guta desconfiou de uma estoquista da loja, dizendo: “Para ser estoquista deve ser favelada. Ela mora em Heliópolis, pode ter um namorado bandidinho. É fácil pra ela ir até lá, fazer a limpa sem ninguém ver?”.

CRITÉRIOS DE CONTRATAÇÃO

Mulheres que já foram gerentes da marca também se lembram, na denúncia, dos critérios para contratação. A ex-funcionária conta que não podia contratar mães com filhos pequenos nem gays muito afeminados.”Se eu selecionasse uma menina acima do peso ela ia recusar. Ela dizia que não contrata quem não entra na roupa dela”, diz a denunciante.

FRASES

Todos os 11 funcionários e ex funcionários da marca dizem ter sofrido algum tipo de assédio moral por pelo menos um dos três sócios: Guta, Francisco ou Fernanda – os últimos dois, filhos da primeira. Frases como: “você é burra”, “sua mãe não soube te educar”. As vendedoras tinham ainda os celulares confiscados e trancados em uma gaveta. Algumas eram obrigadas a trabalhar até 14 dias sem folga.

DIREITOS

Os juristas garantem que impor normas estéticas aos trabalhadores é ilegal. O caráter discriminatório também se enquadra na situação em que os donos segregam os contratados pelas características físicas. Valdirene Assis, coordenadora do Ministério do Trabalho, diz que as vítimas tem que comprovar o que sofrem com base em documentos, testemunhas ou emails trocados. Outra saída também é reportar o caso ao Ministério Público do Trabalho online, por telefone ou pessoalmente, na sede da procuradoria do município. A denúncia pode ser até anônima.

REDES SOCIAIS

A Loja Três se manifestou horas depois da reportagem, pelas redes sociais. E disse que estão tristes com a notícia e com as acusações que não retratam a realidade do dia a dia da marca. Quase 8 mil pessoas comentaram o post, dizendo que estão revoltadas com a atitude da empresa. “A máscara caiu, seus farsantes!”, disse Dandynha Barbosa, influencer digital de moda. “tem que ter muita coragem de negar”, comentou Clara, ex-bbb.  Outras denúncias apareceram em comentários do post, confirmando as acusações mostradas na reportagem. Além disso, clientes disseram que se negam a comprar na loja, depois do que foi revelado pelas funcionárias e ex funcionárias.