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ESTUDANTES CRIAM ABAIXO-ASSINADO PARA QUE LISTA DE LIVROS DA FUVEST TENHA MAIS AUTORAS MULHERES

Dos 9 livros cobrados no vestibular, apenas um é de autoria de uma mulher; petição foi criada por alunas secundaristas, integrantes de coletivo feminista

“Queremos mais autoras mulheres na lista de livros obrigatórios da Fuvest!”. Este é o título de um abaixo-assinado criado na plataforma Change.org por três alunas do Ensino Médio, integrantes do coletivo feminista “Eu não sou uma Gracinha”. O sentimento de revolta causado pela desvalorização feminina ao notar que dos nove livros do vestibular, apenas um é de autoria de uma mulher, fez com Alice Lauria, Luzia Alonso e Lena Giuliano abrissem a petição.

 

“Já passou da hora de as mulheres começarem a ser valorizadas, e não incluí-las na lista de livros obrigatórios de um dos vestibulares mais importantes do Brasil, é reforçar essa desvalorização”, desabafa Alice, que está no 2º ano do Ensino Médio. Entre 2010 e 2017, a prova da Fuvest, exigida para ingresso na Universidade de São Paulo (USP), sequer tinha livros escritos por mulheres na lista. Em 2018, apenas um de autoria feminina foi incluído. A proporção desigual de gênero se mantém para 2019, 2020, 2021 e 2022.

 

Luzia Alonso, que está no último ano do 2º grau, considera que uma lista mais igualitária na questão de gênero seria uma forma de afirmação da mulher na sociedade. “Ter essas autoras nas leituras obrigatórias do vestibular é uma afirmação de que estamos ocupando significativo espaço e principalmente de que já fizemos história”, diz a jovem estudante.

 

Intrigadas por estudarem sobre o gênero do Romantismo, mas nunca terem ouvido em sala de aula sobre Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira, as adolescentes acreditam que este é o momento para deixar de silenciar mulheres esquecidas na história brasileira. Por isso, inauguraram na biblioteca da escola uma estante feminista, batizada com o nome da romancista, que conta apenas com livros escritos por mulheres.

 

A petição 

Lena Giuliano, que está no 2º ano do Ensino Médio, espera que o abaixo-assinado online traga “uma visibilidade enorme para a mobilização”. A petição foi aberta pelas estudantes durante um workshop do programa Elas Mudam o Mundo, realizado pela Change.org.

 

O programa tem como objetivo empoderar mulheres a usarem melhor a tecnologia para se mobilizarem pelas mudanças sociais que desejam ver no Brasil e no mundo. Criado há pouco mais de um mês, o abaixo-assinado já passa de 3 mil apoiadores.

 

As alunas, que estudam na Escola Gracinha (Nossa Senhora das Graças), na zona sul de São Paulo, fazem parte do coletivo “Eu não sou uma Gracinha”, criado em 2014. O grupo é fruto de um projeto escolar, no qual são tratados temas como feminismo negro, vertentes feministas, a legalização do aborto, micro agressões, pornografia, prostituição, entre outros.

 

Saiba mais e veja outras histórias do Elas Mudam o Mundo: https://elasmudamomundo.org.br/ 

ASSESSORIA DE IMPRENSA E COMUNICAÇÃO – CHANGE.ORG BRASIL