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COMO CUIDAR DE QUEM JÁ CUIDOU DA GENTE

Famílias brasileiras têm optado por cuidados dentro de casa para idosos, mas os planos ainda não atendem a necessidade da população brasileira.

C.M.P tem 85 anos. É mãe de 4, avó e bisavó de 7. Completamente lúcida, estava acostumada a participar de festas grandes na família, a cozinhar os pratos preferidos das crianças… Mas depois da perda do marido, C.M.P começou a apresentar dores que a impossibilitaram de andar, problemas no coração, e outras dificuldades que a fizeram chegar até em uma depressão. Os tempos eram outros. Os filhos de C.M.P, pouco antes dela adoecer, tiveram que se mudar a trabalho. Ela foi convidada a acompanhá-los, mas não queria deixar o conforto e privacidade da sua casa. Em pouco tempo, C.M.P começou a se sentir sozinha. Os filhos e netos, com suas vidas atribuladas, passaram, na contramão de suas necessidades, a terem cada vez mais compromissos. Eles decidiram se revezar nos cuidados mas, mesmo assim, não tinham tempo suficiente para o que C.M.P passou a precisar. A família teve que se reunir e ser sincera com o momento e a necessidade de C.M.P: ela precisava de alguém com ela, 24 horas por dia.

“Existem dois tipos de pacientes. Por exemplo: se o paciente tiver um grau básico, se não pode ficar sozinho por conta do Alzheimer, ele precisa de um cuidador. No caso de um paciente grau 2, ele precisa de um cuidado maior. Se tem sonda, precisa de remédios tarja preta… esse paciente precisa de um técnico de enfermagem”, afirma Marisa Lima, enfermeira e fundadora da Doutor Cuidados, empresa especializada em home care, com foco em idosos.

“A pessoa quando é cuidada em casa tem uma melhora significativa por que está no seio familiar e o risco de infecção diminui muito. O ambiente hospitalar não deixa de ser perigoso…. O melhor é que a pessoa esteja em casa”.

Esse processo está cada vez mais em alta por conta da desospitalização. Hoje, é o Brasil quem tenta reduzir o tempo de internação do paciente, dando prosseguimento a seus cuidados fora das organizações. Segundo a Folha, em 2015, havia oito unidades de transição, que se tornaram 25 no ano passado. Clinicas paulistas e gaúchas investem não só em tais práticas, mas as também aliam musicoterapia e yoga para os pacientes. “Nós entendemos que isso impacta na qualidade de vida dessas pessoas”.

Depois de passar por experiencias na família e atender muitos pacientes com a mesma necessidade, Marisa montou a Doutor Cuidados, situada em Alphaville e que atende todo o estado de São Paulo. A empresa oferece treinamentos específicos para seus colaboradores, além da formação. “As pessoas que prestam serviço são capacitadas e treinadas. Temos cuidadores, técnicos e todos passam por treinamentos. Esse profissional chega pra gente já com cursos necessários, mas os preparamos para a maneira com o lidar dentro de casa. Além disso, uma vez por semana, a enfermeira responsável faz uma visita na casa do paciente para supervisionar os cuidados e ver a evolução”, diz Marisa.

Mas para conseguir os serviços, tanto as empresas que oferecem home care quanto os pacientes, encontram uma dificuldade: a acessibilidade. “Hoje este serviço infelizmente não é muito acessível, financeiramente falando, por que temos entraves principalmente com as operadoras de planos de saúde. Quando uma pessoa faz uso do plano, ela acaba judicializando este serviço. A questão é que diante da ANS a maioria dos planos não tem a obrigatoriedade de oferecer um home care. Por exemplo: cuidador, nenhum plano de saúde oferece. Por que são doenças degenerativas, como esclerose por exemplo… Os planos entendem que não precisa de um acompanhamento técnico. Eles acreditam que a família dá conta. Então a grande maioria da população não tem acesso sem judicializar”.

“Essa é uma grande discussão que nós da área temos pela necessidade da criação de um plano para pessoas que precisam de cuidadores. A nossa pirâmide hoje é de 2 adultos para 1 criança. A tendência é de que daqui a 10 anos, teremos uma população onde a maioria será de mais de 50 anos. Isso vai impactar na previdência e na área da saúde, onde temos que nos preparar”, conclui Marisa

@liviazuccaro