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CANSADOS DE ESPERAR, PACIENTES RECORREM A CONSULTÓRIOS DE ENFERMAGEM

Nova legislação permite que enfermeiros possam atender pacientes e esclarecer dúvidas

“Eu precisava medir a glicemia, pedir exames de diabetes e receitas para remédios, só que a espera no posto de saúde era de mais de dois meses. Eu não tenho esse tempo todo, preciso dos medicamentos e exames para me prevenir”. A frase é de Marina Silva, aposentada de 71 anos. Cansada de tanto esperar, ela decidiu pedir para os vizinhos a ajudarem a procurar na internet uma alternativa. Encontrou, então, um consultório de enfermagem, onde podia solucionar problemas, que antes só eram resolvidos no posto de saúde. “Desde 2018, a legislação permite que os enfermeiros possam trabalhar também fora de hospitais. Nós podemos, por exemplo, fazer alguns exames, receitar determinados remédios e até passar orientações para pacientes”, explica Marisa Lima, diretora da Doutor Cuidados, consultório que dona Marina procurou.

“Eu já atendi, por exemplo, uma menina de 12 anos. Ela não tinha mãe, foi trazida pelo próprio pai, que não sabia a orientar sobre higiene íntima e menstruação”, lembra Marisa.

Atendimentos que são considerados de rotina, podem diminuir a lotação dos postos de saúde. Como no caso acima, a garota de 12 anos, não precisava de um médico, mas sim de uma orientação profissional para que pudesse cuidar da saúde de maneira correta.

Em junho deste ano, na grande Recife, pacientes fizeram fila de madrugada, do lado de fora do posto, para conseguir abrir uma ficha. O caso foi mostrado pela mídia. Em um caso no Centro de Saúde Pelourinho, em Salvador, pacientes chegaram às 3h da manhã para esperar a abertura dos portões, que só aconteceria às 7h00. “Muitos casos que vão até o posto de saúde podem ser solucionados em consultórios de enfermagem. Esta pode ser até uma estratégia utilizada pelo governo no futuro para desafogar os médicos, prestar atendimento e evitar que pacientes tenham problemas mais graves por falta de atendimento. Isso é muito sério, pode levar até a morte”, completa Marisa.

Florianópolis é um dos municípios brasileiros que já aderiu aos atendimentos de enfermagem e fez com que o acesso à saúde crescesse 30%.

Lei

Embora conhecida, a profissão de enfermeira (o) ainda não é devidamente compreendida em todo seu potencial pela sociedade, sobretudo na realidade da Saúde Pública e Privada no Brasil. A população, em geral, tem uma visão da (o) enfermeira (o) apenas em ambiente hospitalar. Contudo, a categoria tem como atividade privativa, por exemplo, a consulta em enfermagem, que poderá ser realizada em consultórios e/ou clínicas especializadas. Essa modalidade de atendimento, já prevista e autorizada em legislações anteriores, foi regulamentada pela Resolução Cofen 568/2018, no dia 9 de fevereiro deste ano.

Fonte: Cofen – Conselho Federal de Enfermagem